
Bloqueios e infiltrações: alívio da dor com técnicas minimamente invasivas
02/06/2025A importância do manejo da dor crônica com um especialista
A gestão da dor crônica por um profissional é importante para aprimorar a qualidade de vida do paciente e auxiliá-lo a enfrentar os efeitos emocionais, físicos e sociais dessa condição. A dor crônica, caracterizada como uma dor que dura mais de três meses, pode ter diversas origens, tais como enfermidades inflamatórias, neuropáticas, entre outras, e seu tratamento requer uma estratégia multidisciplinar.
Entenda a importância da abordagem multidisciplinar no tratamento de dor crônica e quais as abordagens intervencionistas no manejo da dor, neste artigo. Continue lendo!

Qual a diferença de dor crônica e dor aguda?
A dor aguda é uma reação imediata a uma lesão ou inflamação, geralmente de dias a semanas, e desempenha um papel de proteção, notificando o organismo sobre o dano. O seu tratamento se concentra na causa raiz, como reparar uma fratura ou gerir uma inflamação, e o efeito emocional costuma ser passageiro. A dor aguda costuma ser forte, mas se atenua conforme a lesão se cura, com consequências físicas e sociais restritas ao período de recuperação.
Em contrapartida, a dor crônica que dura mais de três meses, muitas vezes sem uma causa aparente, pode persistir mesmo após a recuperação da lesão inicial. Ela impacta significativamente a qualidade de vida, trazendo consequências emocionais importantes, como ansiedade e depressão, além de constantes restrições físicas. A abordagem multidisciplinar para o tratamento da dor crônica combina medicamentos, terapias físicas e suporte psicológico, com o objetivo de controlar os sintomas e aprimorar o bem-estar do paciente. Isso é importante, pois a dor crônica pode resultar em problemas físicos e sociais a longo prazo.
Como a dor crônica afeta a qualidade de vida?
A dor crônica impacta significativamente a qualidade de vida, tanto em termos físicos como emocionais. Fisicamente, ela pode provocar restrições na mobilidade e na função, tornando mais difícil atividades cotidianas como andar, trabalhar e executar tarefas básicas. A dor contínua pode resultar em fraqueza muscular, mudanças na postura e problemas de sono, como a insônia, o que intensifica o esgotamento físico e a sensação de dor.
No que diz respeito a emoções, a dor crônica é comumente ligada à ansiedade, depressão e estresse. A incessante dor pode provocar sentimentos de desespero e frustração, particularmente quando não se obtém um alívio eficaz. Isso impacta a autoconfiança e o estímulo, além de comprometer as relações sociais, restringindo a habilidade de trabalhar e interagir socialmente.
Em síntese, a dor crônica afeta significativamente o corpo e a mente, afetando a qualidade de vida e exigindo um tratamento apropriado para gerir os sintomas e aprimorar o bem-estar físico, emocional e social.
Como funciona a abordagem multidisciplinar no tratamento da dor?
Tratar a dor crônica com uma abordagem multidisciplinar é crucial para um controle efetivo, pois a dor pode impactar vários aspectos da saúde física, emocional e social do paciente. Ela implica a união de diversas especialidades médicas e terapêuticas, possibilitando que cada especialista agregue sua experiência para proporcionar um atendimento integral e personalizado.
Especialidades principais envolvidas:
Médicos especialistas, como anestesistas, neurologistas, reumatologistas ou ortopedistas, serão responsáveis por identificar e tratar as causas fundamentais da dor, seja através de medicamentos, procedimentos invasivos, bloqueios nervosos ou até cirurgias, se for preciso.
Fisioterapeutas: Sua função é aprimorar a mobilidade e força muscular, além de instruir sobre técnicas de alongamento e postura, com o objetivo de aliviar a dor e evitar a evolução de danos. A fisioterapia também contribui para a recuperação da funcionalidade e melhora da qualidade de vida.
Psicólogos ou psiquiatras: Frequentemente, a dor crônica é provocada ou intensificada por questões emocionais, como a ansiedade e a depressão. O profissional de psicologia pode auxiliar o indivíduo a criar táticas de enfrentamento e gestão emocional por meio de terapias como a cognitivo-comportamental.
Terapeutas ocupacionais: Dedicam-se a auxiliar os pacientes a manter ou ajustar suas tarefas cotidianas, oferecendo soluções que diminuam o efeito da dor no cotidiano e promovem a independência.
Nutricionistas: Em determinadas situações, alterações na dieta podem ser sugeridas para diminuir a inflamação e aprimorar a saúde global do paciente, contribuindo para o controle da dor.
Esta união de especialistas de diversas áreas possibilita um tratamento mais eficiente e focado no paciente, tratando não somente as facetas físicas da dor, mas também seus impactos psicológicos e sociais. Portanto, a estratégia multidisciplinar aumenta as possibilidades de alívio da dor e favorece um aprimoramento geral na qualidade de vida.
Quais técnicas intervencionistas disponíveis para o manejo da dor crônica?
As abordagens intervencionistas no tratamento da dor crônica consistem em tratamentos que envolvem intervenções diretas no sistema nervoso ou em estruturas anatômicas associadas à sensação dolorosa. Essas estratégias são empregadas quando o tratamento com medicamentos ou terapias não invasivas falham em controlar a dor, ou quando a dor é complexa e incapacitante. Segue uma lista das principais técnicas intervencionistas:
Bloqueios nervosos
Trata-se da administração de fármacos (normalmente anestésicos locais ou corticosteróides) perto de nervos específicos, com o objetivo de interromper a propagação da dor.
Radiofrequência médica (Radiofrequência)
Emprega o calor produzido por radiofrequência para aniquilar ou interromper temporariamente a transmissão dos nervos que causam dores.
Implantes elétricos para estimulação da medula espinhal
Trata-se da inserção de um aparelho que emite impulsos elétricos para a medula espinhal, com o objetivo de bloquear sinais de dor antes de atingirem o cérebro.
Infusão intratecal de medicamentos
Trata-se da aplicação direta de medicamentos (como morfina ou anestésicos locais) no espaço intratecal, próximo à medula espinhal, com o objetivo de aliviar a dor.
Instrumentação de nervos periféricos (Neurotomia Periférica)
Trata-se do corte ou danos aos nervos periféricos responsáveis pela transmissão da dor.
Descompressão neural
Procedimento cirúrgico ou através de métodos minimamente invasivos para reduzir a pressão nos nervos, comumente em situações de hérnia de disco ou estenose espinhal.
Ozonoterapia
Aplicação de ozônio medicinal para aliviar a dor crônica, especialmente através de injeções diretas nas articulações ou na coluna.
Alterações neurocirúrgicas
Métodos neurocirúrgicos para desativar os circuitos nervosos que causam a dor.
Quando essas técnicas são indicadas?
Normalmente, essas estratégias são levadas em conta quando:
- Tratamentos tradicionais não funcionam (medicamentos, fisioterapia, terapias comportamentais, entre outros).
- A dor é incapacitante e persistente, impactando a qualidade de vida do indivíduo.
- Há indícios de dor de origem neuropática ou complexa (como em doenças oncológicas, neuropatias etc.).
- O paciente tem eficácia restrita com analgésicos orais ou não consegue suportá-los por conta de efeitos adversos.
- A dor resiste a outras medidas menos agressivas.
É importante que um médico especialista em dor analise a condição do paciente e escolha a técnica mais apropriada com base no diagnóstico preciso e nas particularidades da dor.
Qual o papel das estratégias de enfrentamento e suporte psicológico no tratamento?
Métodos de enfrentamento e apoio psicológico são fundamentais no tratamento da dor crônica, uma vez que auxiliam os pacientes a gerir os aspectos emocionais e comportamentais da condição. Métodos como reestruturar a mente, relaxar, aceitar a dor e desviar a atenção reduzem a percepção da dor, aliviam o estresse e aprimoram a qualidade de vida. O objetivo é alterar a maneira como o paciente percebe e responde à dor, incentivando uma abordagem mais adaptável.
O apoio psicológico, particularmente por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é eficiente na gestão da dor crônica. A Terapia Cognitivo-Comportamental auxilia na alteração de pensamentos negativos e comportamentos que intensificam a dor, além de ensinar técnicas de superação. Terapias como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) promovem a aceitação do sofrimento e o comprometimento com os valores pessoais, mesmo diante da dor.
Essas estratégias não apenas aprimoram a percepção da dor, como também diminuem sintomas emocionais como depressão e ansiedade, comumente ligados à dor crônica. Ao instruir os pacientes sobre como lidar com a dor emocional e mentalmente, elas ampliam o domínio sobre a condição e fomentam uma vida mais produtiva e gratificante.
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A Dra. Paula Gusson é graduada em medicina pela faculdade de medicina do ABC, é especialista em DOR desde 2008 pelo Instituto de ensino e pesquisa do hospital Sírio Libanês. Tem pós-graduações em cuidados paliativos pela santa casa de misericórdia de São Paulo, em tratamento intervencionista da dor pelo hospital israelita Albert Einstein e em medicina regenerativa pela Orthoregen international course. Além disso, é coordenadora do Grupo de Dor de 3 grandes hospitais na grande São Paulo, além de palestrante em aulas pelo Brasil.
Com mais de 20 anos de experiência no tratamento da dor, a Dra. Paula Gusson dedica-se a devolver qualidade de vida e bem-estar aos seus pacientes. Com sua expertise em medicina da dor, ela busca a melhor solução para cada caso, ajudando a superar a dor crônica e retomar uma vida plena!



